Qualquer variação dos preços do mel no mercado internacional tem um efeito direto no sector apícola, uma vez que os preços do mel alimentam diretamente a atividade nos países com uma participação significativa no mercado internacional, e indiretamente nos países com uma participação menor. Como claramente descrito na Declaração da APIMONDIA sobre a Fraude no Mel (Apimondia, 2020), a preservação da qualidade e pureza do mel torna-se absolutamente essencial para a sustentabilidade da cadeia do mel cuja base começa nos apicultores.
O continente americano apresenta realidades muito diferentes em termos de participação no mercado internacional do mel. Por um lado, há um grupo de importantes países exportadores de mel, como Argentina, México, Brasil, Chile, Cuba, Uruguai, etc. Por outro lado, temos um grupo de países importadores, alguns com pequenos volumes para equilibrar seu consumo interno e outros como o maior importador mundial de mel, os Estados Unidos da América, que demandam cerca de 30% do produto que é comercializado no mundo. O Canadá, um grande exportador mundial de mel, é também um importador de quantidades significativas, com um mercado interno desenvolvido.
No maior mercado de mel do mundo, os Estados Unidos, o problema da fraude no mel envolveu a evasão através de países terceiros, em que um falso país de origem foi concebido para evitar os elevados direitos anti-dumping que prevalecem nos Estados Unidos. Como no caso de muitos produtos de base que estão contaminados pela fraude, os preços desses produtos são sempre muito inferiores ao que um mercado normal exigiria. As consequências perniciosas da adulteração do mel resultam do facto de os modernos métodos de adulteração criarem uma situação em que não há limites para as quantidades nem pisos para os preços do mel adulterado.
O problema da adulteração envolve tanto a exportação de mel adulterado como a exportação dos métodos de adulteração do mel. Esta situação está na origem da queda dos preços do mel e ameaça os apicultores com uma crise existencial.
