Os pesticidas são considerados uma das ameaças mais graves para as abelhas melíferas e outros insectos que vivem nas paisagens agrícolas. Mas será que as abelhas conseguem efetivamente evitar as flores contaminadas? De acordo com um novo estudo científico publicado na revista Scientific Reports, a resposta pode ser sim.
Investigadores da Universidade de Buenos Aires investigaram, em condições laboratoriais, se as abelhas são capazes de reconhecer o pólen contaminado com pequenas doses de pesticidas, especificamente glifosato e imidaclopride.
As abelhas recém-emergidas foram criadas em gaiolas onde lhes foi fornecido xarope de açúcar normal e duas amostras de pólen de várias espécies de plantas - tanto selvagens como cultivadas, incluindo colza - uma contaminada e outra não contaminada.
As abelhas mostraram uma menor preferência pelo pólen contaminado. O consumo diminuiu entre 10% e 23% no caso do glifosato, e entre 12% e 20% no caso do imidaclopride.
Os resultados sugerem que as abelhas conseguem detetar e, pelo menos parcialmente, evitar o pólen contaminado. Este facto faz com que se espere que este comportamento possa representar uma estratégia de defesa natural contra a contaminação ambiental.
No entanto, o problema dos pesticidas continua a ser grave. Mesmo em condições laboratoriais controladas, as abelhas não evitaram completamente o pólen contaminado. E em ambientes reais, a evitação também dependeria da disponibilidade de flores não contaminadas, o que nem sempre é garantido.
Ler o texto integral do artigo científico aqui.



