As abelhas polinizam cerca de 75% das principais culturas do mundo — no entanto, as doenças virais que ameaçam a sua sobrevivência continuam a não ser contempladas nas normas internacionais de saúde animal. Nenhum vírus das abelhas figura no Código Sanitário para Animais Terrestres da OIE nem no seu Manual de Testes Diagnósticos e Vacinas. Em 2026, essa lacuna já não é aceitável.
O Grupo de Trabalho da APIMONDIA sobre Boas Práticas Veterinárias na Apicultura (AWG-GVPA) publicou o Resumo de Políticas #5, apelando à OIE para que inclua formalmente determinadas doenças virais das abelhas melíferas nas suas normas internacionais.
Vários vírus das abelhas são agora reconhecidos como patogénicos de elevado impacto, especialmente quando são transmitidos ou amplificados pelo ácaro ectoparasita Varroa destructor:
● DWV‑A, DWV‑B (Vírus da asa deformada A/B) ● ABPV (Vírus da paralisia aguda das abelhas) ● BQCV (Vírus da célula negra da rainha) ● CBPV (Vírus da paralisia crónica das abelhas) ● SBV (Vírus da cria espumosa) ● KBV (Vírus da abelha do Caxemira) ● IAPV (Vírus da paralisia aguda israelita)
Estes vírus podem estar presentes em abelhas clinicamente saudáveis, ocorrem frequentemente como infeções mistas e podem causar enfraquecimento da colónia, perda da rainha, redução da viabilidade da cria e, por fim, o colapso completo da colónia. Apesar disso, permanecem negligenciados nos padrões internacionais da WOAH.
Portanto, é urgente incluir doenças selecionadas de vírus da abelha-europeia no Código Zoosanitário Internacional como doenças de colmeias geridas Apis mellifera, e desenvolver capítulos dedicados no Manual Terrestre sobre: Vigilância e deteção precoce; Diagnóstico laboratorial e comunicação de resultados; Medidas de controlo e prevenção baseadas no risco; Responsabilidades dos serviços veterinários e orientações de biossegurança.
A proposta apresenta passos concretos: inclusão de vírus chave no Código Sanitário para Animais Terrestres, capítulos dedicados ao diagnóstico e à vigilância no Manual Terrestre, e o reconhecimento formal de veterinários, apicultores e laboratórios de apicultura como atores na linha da frente da resposta a doenças.
As doenças virais das abelhas melíferas deixaram de ser uma preocupação de nicho. São uma questão de saúde animal a nível global — e é tempo de as normas internacionais refletirem isso.
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